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26/10/2009 Diminuir tamanho da letra
Binot, o primeiro francês
Os passos de Binot Paulmier de Gonneville, o primeiro francês a desembarcar em terras brasileiras, podem ser refeitos através dos diversos acervos das bibliotecas digitais.
Renato Venâncio

Após a chegada dos portugueses, o primeiro registro da presença francesa em nosso território data de 1504. Neste ano, o navegador e comerciante Binot Paulmier de Gonneville permaneceu seis meses com a tripulação de seu navio no litoral de Santa Catarina, onde pôde travar amistosos contatos com índios carijós e, inclusive, levar o primeiro indígena brasileiro à França. A informação sobre o viajante é do livro Andanças pelo Brasil Colonial – catálogo comentado (1503-1808), de autoria de Jean Marcel Carvalho e Ronald Raminelli, publicado recentemente pela Editora UNESP.

A obra reúne referências bibliográficas a respeito de diversos viajantes do período colonial. O rastreamento dos títulos indicados é um bom pretexto para se mapear bibliotecas online. Não é exagero afirmar que a internet transforma um simples livro em uma incalculável biblioteca. E partir de uma publicação física é sempre uma boa maneira de não se perder na vastidão do espaço virtual. Vejamos o caso de Binot.

Nas andanças pelos acervos digitais, os nomes e sobrenomes devem ser grafados sempre entre aspas. Porém, é preciso notar que o último sobrenome também aparece como indicativo de naturalidade em textos antigos: “dit de Gonneville”. Assim, o recomendável é que a procura ora seja feita através do  nome e sobrenomes completos, ora apenas pelo nome e primeiro sobrenome: “Binot Paulmier”.

Nesta busca, a página American Libraries do site Internet Archive guarda a mais valiosa referência: o relato integral da viagem do navegador francês: Campagne du navire l'Espoir de Honfleur, 1503-1505: relation authentique du voyage du capitaine de Gonneville ès nouvelles terres des indes publiée intégralement pour la première fois; avec une introduction et des éclaircissements.

O portal dá, ainda, várias possibilidades de leitura e salvamento de texto (online, PDF, texto simples e etc). Curiosamente, o Google Livros, que originalmente digitalizou o referido livro, não mais o disponibiliza. Ainda que por vezes não faculte acesso a textos integrais, o serviço do Google pode ser utilizado como um roteiro de leituras. Binot Paulmier, por exemplo, aparece referenciado em 635 livros. Aqueles que querem se aprofundar no tema também podem encontrar elementos interessantes de contextualização no Google Acadêmico e no site Persée, uma biblioteca digital de periódicos franceses.

Por ser um personagem francês, não se pode deixar de mencionar o excelente site Gallica, da Biblioteca Nacional da França. Uma busca neste acervo sobre o viajante revela 47 livros, todos integralmente digitalizados. Entre eles, verdadeiras preciosidades de erudição, como o livro Notes sur la famille du capitaine Gonneville, navigateur normand au XVIe siècle, publicado em 1885 por E. Cagniard ou então a citação do navegador na edição de 1882 da obra De la colonisation chez les peuples modernes, de M. Paul Leroy-Beaulieu, autor que pioneiramente desenvolveu  a clássica distinção entre colônia de povoamento e colônia de exploração.

As dicas e procedimentos aqui apresentados valem para qualquer outro tema ou indivíduo. Além disto, mostram como a internet é, hoje, a principal aliada das universidades e escolas brasileiras, ao facilitar o acesso a acervos bibliográficos até bem pouco tempo restritos a especialistas, que dependiam de custosas viagens internacionais para realizar suas pesquisas.

Renato Venâncio é professor da Universidade Federal de Ouro Preto

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