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| 01/04/2008 |
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| Diálogos em defesa e louvor da Língua Portuguesa |
| 7 Letras, 160 páginas. R$ 32,00. |
| Sheila Moura Hue (org.) |
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(www.7letras.com.br)
Um maravilhoso poema, mas escrito em língua “áspera” e “ignorada”, diziam os acadêmicos castelhanos sobre Os Lusíadas, de Luís de Camões. Seria mais uma contenda entre espanhóis e portugueses? Não mesmo. Este é o fragmento de uma grande polêmica que ocupou os letrados da Península Ibérica em torno da afirmação de suas línguas nacionais no século XVI. Boas amostras dessa contenda acabam de ser publicadas: Diálogo em louvor da nossa linguagem (1540), de João de Barros, e Diálogo em defesa da Língua Portuguesa (1574), de Pero de Magalhães Gândavo. A edição, organizada por Sheila Moura Hue, apresenta os textos em duas versões: uma em linguagem atualizada, com preciosas notas explicativas, e a outra em formato fac-similar. Nos diálogos, o que se lê são boas defesas da língua portuguesa, escritas em linguagem simples e saborosa, como, por exemplo, uma alfinetada nos vizinhos franceses, que para “formar um seu próprio ditongo faz nos beiços esgares que pode amedrontar meninos”. Se em Portugal os letrados engatinhavam para entender a própria gramática, abaixo da linha do Equador essa disputa ganhou contornos diferentes com a catequese. Para aprender o modo de falar das gentes das colônias, os jesuítas elaboraram gramáticas para as línguas indígenas e africanas. Leituras de sucesso no passado, são, antes de tudo, valiosos testemunhos do nascimento da língua portuguesa, tal qual a falamos e escrevemos ainda hoje. (Por Nívia Pombo)
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